O mundo árabe e um detox digital obrigatório


Já devem ter sentido que estou muito pouco comunicativa, lamento. Devia ter-vos mandado um postal com uma imagem dos camelos no deserto para vos dizer que estou bem, e que a falta de fotografais no Instagram, artigos no blog ou posts no Facebook foi provocada por uma onda de azar, ou por outras palavras: um detox digital obrigatório.

O meu Huawei, que me tem sido muito fiel e muito responsável na sua tarefa de melhor amigo e confidente e também de melhor assistente pessoal, falhou. As redes árabes e o meu telemóvel não quiseram namorar. Aterrei no aeroporto de Oujda no dia 17 e desde aí que tem sido um desafio manter-me contactável, nem a rede do hotel quis ajudar, nem o meu computador quis ser rápido, nem o meu telemóvel quis recuperar da viagem, nem os camelos quiseram trazer as cartas para Portugal. Foi, por isso, difícil manter-vos a par da minha viagem.

Não foi a primeira vez que fui a Marrocos, mas ter a oportunidade de atravessar uma parte do país e conhecer a maior Medina no mundo árabe foi absolutamente fantástico. Não posso dizer que seja um país lindo, ou que os seus monumentos sejam bonitos. A beleza é sempre discutível, o que não é discutível é o quão surpreendente é conhecer uma cultura tão diferente da minha e estar pronta para absorver cada detalhe de mente e coração abertos.
Quando pisei o solo Marroquino tinha vestida uma t-shirt com uma mensagem feminista, não foi escolhida ao acaso. Marrocos, tradicionalmente, é um país machista, onde as mulheres continuam a ser muito submissas. Como feminista quis observar de perto como é que era o comportamento quer das mulheres quer dos homens. Vi muitas coisas que me chocaram mas, acima de tudo, esta viagem ensinou-me a ser mais tolerante
Estranho, não é? Como é que uma viagem a um país árabe nos pode ensinar a ser mais tolerantes? Pois é, eu também não estava à espera desta, mas quando me sentei no chão de uma Madrassa (escolas de ensinamento do alcorão) ouvi um discurso, dado pelo meu guia, repleto de mensagens de tolerância, há séculos que eles vivem dentro de muralhas com pessoas de outras religiões, árabes, berberes e judeus convivem nas mesmas ruas estreitas de uma Medina e cruzam-se com respeito e com tolerância.
Eu não acredito em Deus (para mim foi fácil manter a mente abera), mas eles aceitam que o Deus é o mesmo, a doutrina é que é diferente. Mas acreditam e defendem que a tolerância devia ser incutida a qualquer pessoa. Claro que é necessário aprender com estas palavras mas ter a consciência de que eles não são perfeitos, nem pacíficos, nem amigáveis, nem justos ou feministas, contudo aprenderam a ser tolerantes e podemos aprender isso com eles.



Posso até ser vista como a pior feminista do mundo, mas não quero tirar a burka a nenhuma mulher que, conscientemente, a queira trazer vestida. Tolerância é a palavra de ordem. Devo, enquanto mulher e enquanto feminista querer que elas estudem, trabalhem ou votem, devo procurar formas de fazer com que as pessoas se tornem mais conscientes e mais críticas,  mas não devo obrigar ninguém a nada. Estive ali com mulheres, poucas, que andavam de burka e que iriam sofrer uma enorme violência se fossem obrigadas a abandonar esse costume. E foi nesses pequenos momentos que me apercebi da enorme necessidade de ser mais tolerante.
O melhor souvenir que trago desta viagem é a tolerância. Mas se forem a Marrocos não venham de lá sem óleo de aragão, açafrão e umas babuchas.



PS - continuo sem telemóvel mas prometo ir actualizando o meu Instagram sempre que possa, estou dependente da bondade do meu irmão, prometo falar do detox digital (obrigatório) em breve.

Todas as fotos foram tiradas com a Canon PowerShot G7X

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