O meu último penso higiénico

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Foto: Georgia Gibson

Há uns bons anos fui presenteada com uma coisa que nunca tive ansiedade de ter - o período. Nunca fui uma daquelas miúdas que queria muito ser "mulherzinha", sempre quis ser só mulher e, se fosse possível, sem período e sem sutiãs. Quando as minhas colegas de turma já passeavam um penso higiénico na bolsa da frente das suas mochilas Eastpak, eu ainda era uma felizarda sem o peso das constantes idas à casa de banho para verificar que estava tudo dentro das bordas desconfortáveis do penso.

Fui uma das últimas e feliz por isso. Odiei profundamente o momento em que a minha querida mãe quis contar a toda a família que eu já era uma "mulherzinha", apressava-me a concluir a história dela com um arrogante: "sempre fui mulher!". Acreditem, uma mancha vermelha não nos torna mais mulheres, muito menos "mulherzinhas". Odiei que toda a gente soubesse do que se passava nas minhas cuecas às flores, nunca percebi porque é que se emocionavam tanto com um assunto tão dramático quanto uma cena de SAW, nojenta e sanguinária. Odiei o meu período, todos os meses. Talvez tivesse gostado mais dele depois de ter iniciado a minha vida sexual, muito embora sempre tivesse tido todos os cuidados possíveis, por isso nunca o considerei uma vitória, nem uma lotaria com prémio.

Experimentei imensas marcas de pensos higiénicos e nenhuma delas suavizou o meu ódio pelo meu fraco período (até tenho sorte, depois de descobrir a pílula certa o meu fluxo ficou mais de acordo com as minhas expectativas) deixei os tampões de lado, os aplicadores eram horríveis e havia uma lágrima que me humedecia uma das faces quando os tentava retirar.
Recentemente, a era moderna foi brindada com uma inovação que veio melhorar a higiene, a vida e o conforto de muitas mulheres - o copo vaginal. Um nome que faz com que a cara de muitos homens, e muitas "mulherzinhas", se contraia em repulsa e nojo.
Desde que ouvi falar no assunto fiquei com muita curiosidade em experimentar, corri lojas e, ao inicio era muito difícil encontrá-los, fui para a net, li sobre o assunto, soube que as farmácias já estavam a começar a comercializar algumas marcas, marquei consulta com a minha querida ginecologista que, entre conversas banais e espectros, me aconselhou vivamente a pôr tudo de lado e comprar um copo vaginal, tamanho S, "pega de principiante", como se isto se tratasse de um desporto. Mas sabia que ela estava certa.

Escolhi o meu copo Meluna e, no primeiro dia da menstruação seguinte, respirei fundo, relaxei tanto quanto podia e introduzi o abençoado copo vaginal. Em menos de 3 segundos ele estava no sítio e eu estava com um sorriso de orelha a orelha, não sentia nada dentro de mim, podia usar o meu macacão novo da Zara sem correr o risco de o manchar, podia usar as minhas cuecas preferidas ou dormir sem nenhumas, era todo o um novo mundo de possibilidades sem o vislumbre das "50 manchas de vermelho".
Despedi-me do meu último penso higiénico com toda a gratidão possível, os pensos foram ultrapassados, como um ex-namorado do secundário, como as skinny jeans estão a ser ultrapassadas pelas mom jeans. Mas neste caso a tendência do penso não vai voltar a estar na moda no meio das minhas pernas.


O copo vaginal é uma opção mais económica (custa mais ou menos 25€ mas dura cerca de 10 anos) é, também por isso, a solução mais ecológica. Não tenhas qualquer ou receio, é fácil de usar, não se sente, não incomoda, é mais saudável e mais higiénico. Vale cada cêntimo, até porque te sentes muito mais livre, só precisas de o esvaziar de 8 em 8 hora, ou em caso de um fluxo mais escasso 12h em 12h.

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