This year i will...


Blahhh odeio a passagem de ano, é uma noite irritante em que somos obrigados a pensar na passagem do tempo, no castigo das horas, no avançar dos anos. Vestimos umas cuecas azuis para dar sorte, brindamos com champanhe de marca branca, batemos nas panelas e no minuto seguinte está tudo igual.
Que raio de comemoração, comemorar o avançar do tempo. Não faz sentido, ainda por cima para mim, que tenho uma grande costela saudosista. E todos os anos deixam saudade, 365 dias para ter saudade, neste caso e para piorar o meu estado, houve 366 dias. Tanta saudade, eu já tenho até saudade do amanhã. Apressada.

O bom, ou mau, disto tudo é que isto nos obriga a pensar no que que se passou no último ano. O Bowie morreu. Já nem quero continuar a falar sobre 2016 e ainda vamos só em Janeiro. Mas em Fevereiro entrei para a Vogue. Vitória! Em Março fiz 24 anos e assumi que os 24 eram os novos 18, e foram! Em Abril águas mil, devo ter chorado uma ou duas vezes a ver filmes e cerca de 10 vezes a pensar em merda. Chegou Maio e chegou Game Of Thrones, ufa, o Jon Snow ressuscitou e a minha tesão também. Junho trouxe férias, praia, santos populares, e saídas sem levar casacos pesados. Julho veio melhorar significativamente o ano, Nos Alive com Tame Impala e Radiohead, enfim eu e a minha maluqueira por festivais. Agosto não teve bom gosto, foi quente mas não me aqueceu. Setembro foi o mês mais esquisito, regressar das férias e do verão deixa-nos com azia, houve uns concertos e copos com amigos a safar, mas não houve trabalho para onde regressar. Outubro foi simpático o MAAT fez as honras, convidou-me a ir vê-lo mas não me deixou entrar, típico de gajo sem os tomates no sítio. O sol brilhou na maior parte dos dias, as manhãs eram fáceis, as noites mornas, as companhias também. Mas o mês acabou comigo no inferno com uma bactéria resistente que me levou para as catacumbas durante quase um mês. Novembro não podia começar pior, ainda doente, ainda febril. O bilhete para o Web Summit obrigou-me a fazer-me à vida, que dias incríveis que passei, acordei para a vida ali, numa fila do Meo Arena a ouvir maravilhas sobre o mundo que há-de vir, sobre a força e a coragem daqueles que concretizam o impossível. Lá, tudo pareceu possível. Foram os melhores dias do inverno, se não do ano. Consegui falar com a Christene Barberich (Founder do Refinery 29) a conversa foi curta mas motivadora. Que mulherão, caraças! Novembro foi-se tornando mais simpático com dois dias de Mexefest, um à chuva (yes!) conheci muitas cenas novas, dancei até não aguentar mais, e corri atrás de bolas de berlim, dei comigo toda molhada dentro de uma fonte, um bem haja a este momento, até molhada se dança, por isso foi indiferente, peguei em mais cerveja e segui com a vida até Dezembro. Último mês, somámos mais mortes, dividimos o dinheiro entre as prendas, multiplicámos o orgulho de ser português com a ajuda do Ronaldo, do Fernando Santos, e do Guterres. O natal enche-me sempre de alegria, foi mágico, foi farto, foi diabético e foi feliz. E aqui estou eu, a achar mais uma vez, que 2016 foi uma merda mas vai deixar imensas saudades. Fomos campeões da Europa, a Telma foi medalha de prata, a "geringonça" tem estado a funcionar, por aqui tudo calmo.
O novo ano não vai ser muito diferente, certamente vão morrer pessoas, alguém há-de vencer o mundial mas não havemos de ser nós, e eu vou permanecer imune, ou porque um quarto de século me trará sabedoria que chegue ou porque bebo chá de equinácea com regularidade.

Tempo de pensar no futuro, tempo de ver do que é que é preciso desistir, do ginásio não. Tempo de começar a fazer planos, visitar terras de longe, aceitar o Trump como presidente, aprender um petit peu de francês, ler um bom livro, mais um, voltar a Paredes de Coura e esperar que chova (very spiritual, portanto).

Lembra-te de fazer asneiras, o ano é curto demais e já ninguém se lembra do espalhanço que deste em 2014. Diverte-te muito, deita aquela lágrima no chuveiro, um mês depois não vai importar mais. Faz amor e faz o que quiseres porque daqui a um ano vamos voltar a sentir saudade até do que é ou foi mau e até do que ainda está para vir.
Feliz 2017!

Podes descarregar o jogo dos cartões para a passagem de ano aqui. As cartas para os compromissos do futuro e para, de facto, escreveres algumas resoluções de ano novo estão aqui:


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