mo·da |2| LESS IS MORE


"Less is more"
Já todos ouvimos falar nisto, vezes sem conta.
Em 1883 nasceu a mulher que deu sentido ao “Less is More”, Gabrielle Chanel, foi mais do que a personalidade responsável por uma das maiores marcas dos nossos tempos. A menina que, era uma simples costureira de dia e “entertainer” à noite, quis ser mais do que isso e remou contra a maior das marés: as crenças do seu tempo (as crenças de qualquer tempo).
Não foi a única que o fez, não o fez sozinha. Mas não podia deixar de falar dela.
Gabrielle Chanel, ao desamarrar as cordas do seu espartilho desamarrou a sua criatividade ímpar e desamarrou as mulheres do "espartilhamento" do corpo e da mente.
Na belle époque os vestidos encontravam-se com o chão, os tecidos eram elaborados e ornamentados com golas, por baixo, um espartilho, por cima jóias. Na cabeça, um chapéu ou um véu, uma forma dissimulada de esconder a tristeza e a dor de quem o usava, tapavam-nas do sol para que não fossem “iluminadas”. Será que isto é uma especulação minha do significado do design de moda desta época? Pensem nas burqas e no seu significado e encontrarão a razão que sustentou o que acabei de escrever.
Se a moda não influência nada no mundo, se é tão fútil como dizem, então porque é que criticam as burqas, os hiyabs, o chador, e tantos outros trajes do tempo de hoje e dos tempos que já passaram?

  A moda revoluciona mas também oprime.

Esconder a mulher atrás de um pano preto aprisiona não só o seu corpo mas também a sua personalidade. Na belle époque, o significado era diferente mas a prisão era semelhante.
Ela, Chanel, desamarrou os espartilhos, encurtou os cabelos, desceu a cintura, subiu a bainha tudo em prol da simplicidade. A mulher começou a parecer menos mulher e mais homem. Porque passou a trabalhar, porque deixou de ser a eterna donzela dos contos de fadas, que ainda hoje atormentam a sociedade feminista.
Para tudo isto ela precisou de um “moto” que a acompanhou toda a sua vida no seu processo criativo: Less Is More (menos é mais). Menos será sempre mais. 

A simplicidade do que somos por fora será o convite para a deslumbrante complexidade do que somos por dentro. 

Se perdes mais tempo a tratar dos teus metros de cabelo do que a ler, se por cada dia que passa a tua preocupação aumenta relativamente à largura da tua cintura, se as jóias que usas têm mais significado que a tua conversa, então ainda continuas espartilhada na belle époque e não há nada que um produto da Chanel possa fazer por ti. Continuas presa.


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