O Paraíso ganhou

Festival vodafone paredes de coura

Podia ter feito este artigo assim que cheguei a casa no dia 23 de Agosto já o sol se tinha posto, ainda estava suja, talvez até ainda tivesse as meias molhadas da chuva que se abençoou a despedida. Mas, quando cheguei a casa, queria dormir, tinha sido mordida por uma aranha, estava com febre, doente e cansada, quase em delírio. Dormi muitas horas e sonhei com o único paraíso que conheço na terra, Paredes de Coura.

Amamos o paraíso com a água quente e com a fria. Com o sol escaldante e a chuva mágica que foi caindo. Amamos o paraíso como se fosse parte de nós, porque nós somos parte do paraíso.

Este texto é escrito agora porque o Vodafone Paredes de Coura foi o grande vencedor Portugal Festival Awards. Levou para casa o prémio de Melhor Festival de Grande Dimensão, Melhor Cartaz by Casal Garcia, Melhor Festival não Urbano e Melhor Campismo.

Foi um ano complicado onde as críticas foram muitas devido a sobrelotação do espaço. Mas souberam gerir na adversidade, souberam ser grandes em dimensão, porque grandes já o eram. Lembro-me em 2012, o catastrófico ano da chuva torrencial, em que conseguiram encontrar uma rápida solução para acolher os campistas que não tinham condições para estar no acampamento. Foi o melhor Paredes de Coura de sempre. Porque têm uma máquina cheia de ritmo por de trás. Por isso, parabéns à RITMOS e à Vila de Paredes de Coura. Obrigada por, ano após ano, proporcionarem o melhor retiro espiritual o, sempre grande, Paredes de Coura.

Contudo, o melhor prémio que eles podem ganhar é a nossa paixão pelo Tabuão, o nosso carinho com a vila, os nossos sorrisos às 4h da manhã quando decidimos deixar o palco secundário para atacarmos os cachorros quentes. O melhor prémio que eles ganharam foi o amor que temos por aquilo, o amor que não desaparece porque o campismo está cheio ou porque foi difícil arranjar bilhete. O amor que sentimos mesmo quando há demasiadas pitas junto às margens do rio. O amor que temos mesmo quando não há espaço para estender a toalha, para estacionar o carro, para almoçar na vila, para ver Pond ou Fuzz.
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Amamos o paraíso com a água quente e com a fria. Com o sol escaldante e a chuva mágica que foi caindo. Amamos o paraíso como se fosse parte de nós, porque nós somos parte do paraíso.

Regresso sempre diferente, sempre melhor. Preciso de ir lá para ficar cansada e recarregar baterias. Parece contraditório mas não é. Vou lá para respirar melhor, para ficar sem dores, só as dos pés, das pernas e das costas. Vou mesmo que tudo me diga para não ir. Vou na aventura.

Quem vai só por ir, não vá. O espaço é pequeno para os vossos bikinis pseudo-vintage, os vossos “iates” privados para andar no rio, para a vossa implicância com a chuva e com o sol, o espaço até é pequeno para levar com a vossa companhia num concerto que não vos diz nada, ou para levar com vocês em “crowdsurfing” durante RATATAT. O espaço é pequeno mas acaba por ser maior que a vossa personalidade por isso, não voltem e experimentem o SBSR no meio da cidade ou o concorrido MEO Sudoeste.

Quanto aos outros, os que cantam todas as músicas, ou os que não cantam mas dançam, os que não dançam mas pulam. Os que se deitam tarde, os que conversam com estranhos. Os que abraçam e os que pedem abraços. Esses, voltem sempre.


IT’S VERRY SPIRITUAL.




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