João Padinha, na mira da objectiva

"Mudamos a cada minuto e a nossa energia também. E é essa energia que eu tento captar."

Mais do que um fotografo, um amigo. Um dia virou-se para mim e disse-me que me queria fotografar, e eu disse-lhe que sim. Meses depois apanhou-me na mira da objectiva dele. Hoje dou-vos a conhecer João Padinha, o homem por de trás da máquina. 
"É uma forma de criar. De fazer. De ver." 




Just Iconic (JI) - Quando fizeste o click para fazeres click?
João Padinha (JP) - Não te consigo responder a isso, ao certo. Quero acreditar que são coisas que nascem connosco. São coisas que não se aprendem, daí achar que os cursos de fotografia são bons para a parte técnica, mas que não nos ensinam a ver. Apenas a saber usar a máquina. Lembro-me que sempre vi as coisas de uma forma bonita. E que o meu maior medo sempre foi deixar de ver. O meu ex-namorado disse-me que nunca tinha conhecido ninguém com um olhar como o meu. De tão inocente que é, só conseguia ver a beleza das coisas. É algo que quero acreditar que tenho e algo que quero manter, também.

JI - Quais são as tuas maiores inspirações, dentro e fora da fotografia?
JP - São infinitas. Todos os dias vejo algo novo que me inspira. E tenho várias pessoas que admiro e sigo o trabalho, mas não é constante. Uma dessas pessoas é o Terry Richardson. É o tipo de fotografia que eu gosto, o tipo de fotografia que gostava de fazer, mas com a minha assinatura. Sem grandes produções. Mas, como disse, não é constante. Acho que onde encontro mais inspiração é na música. Eu vejo fotos ou imagino sessões e produções enquanto oiço música. Existem canções que me transportam para esses lugares, onde penso: “meu, esta música ficava bem aqui”. E imagino tudo a acontecer.
Existe, também, um rol enorme de pessoas que gostava de fotografar e conhecer. Se quero que isso a aconteça é porque vejo algo nessas pessoas que me inspira.



JI - O que aspiras ser com a máquina na mão?
JP - A melhor versão de mim mesmo. Quero ser tão bom ou melhor quanto as pessoas que admiro. Quero poder dizer que aquela foto na capa da revista é minha. Ou aquele editorial é meu. Poder, também, viver da fotografia. Mas não só. Existem muitas outras coisas que quero fazer. E, quero também, nunca perder a minha identidade, que ainda não a defini por completo.

JI - Quais são os teus maiores sonhos?
JP - A nível fotográfico, ter uma capa e um editorial numa publicação reconhecida. Mas isto é o meu sonho neste campo. Eu sou uma pessoa um bocado indecisa e os meus objectivos mudam constantemente. E como disse anteriormente, quero fazer mais coisas. Criar de diferentes maneiras. Adoro Desgin Gráfico e gostava imenso de trabalhar no ramo da publicidade. Ou como copywritter. Ou Art Director. Ou numa produtora de eventos, tipo a EiN ou a Música do Coração. Não me vejo a fazer uma só coisa. Acho que tenho potencial para fazer o que quiser, sair-me bem e não ter que me restringir à fotografia, por exemplo.

JI - A fotografia para ti é...
JP - É uma forma de criar. De fazer. De ver.

JI - A motivação para sair da cama é...
JP - Eu sou a pessoa com pior acordar do mundo e são mais os dias que quero ficar na cama, dos que me levanto bem disposto. Mas depende do dia e do que vou fazer com o meu dia. Não é algo que seja constante. São mais os dias que não me apetece sair da cama do que os que tenho vontade.

JI - O que procuras captar numa fotografia?
JP - O que vejo e o que sinto quando vejo. Existem pormenores que só depois de tirar a foto é que consigo ver. Acho que procuro, também, ver mais do que aquilo que estou a ver no momento. Percebo muitas coisas com as fotografias que tiro. Consigo ver muitas coisas nas pessoas que talvez não repare a olho nu. A energia que sinto e que vejo. E a energia que passam para o lado de cá.



JI - Gostas de fotografar mais pessoas do que paisagens. Porquê?
JP - A energia é diferente. Eu fotografo imensas paisagens com o telemóvel. Mas fotografar pessoas é diferente. Nunca sabes o que esperar, não sabes quais as reacções, por exemplo. Até mesmo quando tens alguém a pousar para ti, só podes imaginar como poderá ficar, mas nunca sabes como fica realmente até disparares. Uma paisagem está lá. Só. E mantém-se igual durante imenso tempo. As pessoas não, nem que seja após o piscar de olhos o olhar já é diferente. Mudamos a cada minuto e a nossa energia também. E é essa energia que eu tento captar.

Obrigado por seres quem és, por teres esta sensibilidade artística e por conseguires captar grande parte da minha essência. 


Podem encontrar mais trabalhos dele no facebook e no flickr.





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